quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Para Meditar - Trabalho


«Trabalhar até os burros trabalham. O que é preciso é saber trabalhar»

Quando lembro este enigmático conselho, bebido no leite de minha mãe, ocorre-me a imagem do pobre animal preso às voltas da nora ou a resfolgar, aborrecido, impotente e resignado à frente da charrua.
No seu suor há humidade criadora. Apenas o sal dos suores estéreis e o vazio do trabalho obrigado. Não há liberdade que cria, há imposição que amarfanha. Não há entusiasmo, mas pelas escuras a riscar rotinas, à espera da noite que lhe traga a cevada à mangedoura.
O burro da imagem que me visita caminha indiferente às estações. Avança por um sulco paralelo àquela procissão da vida, que diria Gibran, majestosa e altivamente submissa, caminha para o infinito.
Abro o livro do teu diálogo connosco, Senhor, e vejo que, tal como Yahveh no Antigo Testamento, também Tu usas titulos e comparações do mundo do trabalho: o pastor, o vinhateiro, o pescador, o semeador, o médico, a dona de casa... e não foste Tu também operário, filho de carpinteiro?

Peço-te três coisas nesta manhã:
Não nos deixes cair na tentação da preguiça, esse estranho hábito que nos faz descansar antes de trabalhar e repousar nos celeiros e colheitas antigas. Que encontremos a melodia da vida e o caminho que nos conduz a nós.
Não nos deixes cair na agitação que envenena os sorrisos, no trabalho desenfreado que é maldição e desejo de esquecermos quem somos. Que saibamos a medida certa entre a entrega desmedida e o descanso que nos recria.


(Henrique Manuel / Livro: mas há Sinais...) Rádio Renascença - Momentos de Reflexão

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